Após a detecção de Descargas Parciais (DP) em cabos isolados, surge a pergunta mais importante — e também a mais difícil de responder: esse defeito representa um risco real de falha iminente ou pode ser monitorado?
Na prática, a maior parte dos erros em programas de manutenção preditiva não está na medição em si, mas na interpretação dos resultados e na avaliação incorreta da criticidade do defeito identificado.
Por que a intensidade da descarga parcial não é um bom indicador isolado?
Ainda é comum encontrar avaliações baseadas exclusivamente na intensidade da descarga, expressa em picocoulombs (pC). No entanto, esse critério isolado pode levar a decisões equivocadas.
Alguns exemplos típicos:
- Descargas superficiais em terminações podem atingir milhares de pC, mas evoluir lentamente.
- Cavidades internas ou falhas em interfaces de emendas podem gerar descargas de baixa intensidade (dezenas de pC), porém com alto potencial de degradação acelerada.
Ou seja, intensidade não equivale automaticamente a severidade.
Descargas parciais em cabos isolados e o papel da PDIV e PDEV
Do ponto de vista técnico, dois parâmetros são muito mais relevantes para a tomada de decisão:
- PDIV (Partial Discharge Inception Voltage)
- PDEV (Partial Discharge Extinction Voltage)
Quando a PDIV está abaixo ou próxima da tensão de operação (U₀), as descargas ocorrerão continuamente durante o serviço normal do cabo. Isso acelera a degradação da isolação e aumenta significativamente o risco de falha.
Por outro lado, defeitos cuja PDIV ocorre apenas em tensões elevadas (por exemplo, acima de 2,0–2,2 U₀) tendem a apresentar baixo impacto operacional imediato, permitindo decisões baseadas em custo-benefício e planejamento.
PRPD: uma ferramenta subutilizada
Os diagramas PRPD (Phase Resolved Partial Discharge) fornecem informações valiosas sobre repetitividade da descarga, fase elétrica de ocorrência e estabilidade do fenômeno ao longo do tempo.
Embora ainda não exista uma correlação universal e padronizada entre padrões PRPD e tipos de defeito, a análise comparativa — associada à experiência do analista — permite inferências técnicas muito mais robustas do que a simples leitura de pC.
A tendência é que, com o avanço de bases de dados e algoritmos de inteligência artificial, essa interpretação se torne cada vez mais automatizada e confiável.
Quando substituir e quando monitorar?
De forma prática, algumas diretrizes técnicas amplamente adotadas são:
- DP ativa em U₀ ou abaixo. Recomendação: intervenção corretiva imediata, especialmente em acessórios.
- DP apenas em sobretensão e sem evolução. Recomendação: monitoramento controlado, com reavaliações periódicas.
- Ambientes com baixa disponibilidade para desligamento. Estratégia: monitoramento online sequencial, acompanhando tendência de evolução da descarga.
Conclusão
A avaliação de criticidade em ensaios de descargas parciais exige uma visão integrada, combinando parâmetros elétricos, padrões de comportamento e conhecimento do sistema. Decisões baseadas em critérios simplificados tendem a gerar tanto intervenções desnecessárias quanto falhas evitáveis.
Mais do que detectar DP, o verdadeiro desafio está em transformar dados em decisões técnicas consistentes.
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